A Polícia Civil de Ouro Preto do Oeste concluiu o inquérito que apura o assassinato de Edson Vitor Jardim, o “Nego”, que tinha 44 anos, e foi morto a facadas no final da tarde do dia 28 de fevereiro no pátio da rodoviária intermunicipal de Ouro Preto do Oeste, no Bairro Nova Ouro Preto, por Valdinei Souza de Oliveira, de 41 anos. O autor do homicídio, preso pela PM momentos após o crime, e alegou que sofreu agressões verbais e físicas, levou tapa no rosto e foi cobrado por uma dívida de R$ 150, de uma lavagem de roupas que, segundo ele, estava sob controle e com data previamente acordada para pagamento.
Valdinei, desferiu vários golpes de faca em Edson após ambos terem um desentendimento que foi filmado quase que integralmente, e a polícia ainda coletou mais imagens do circuito de câmeras da rodoviária que mostrou com mais clareza a dinâmica dos fatos. Valdinei, que residia numa quitinete a 200 metros da rodoviária, chegou ao local ainda na parte da manhã, volta de 11h15 enquanto a vítima Edson Jardim chegou à rodoviária por volta de 18h15, aparentando estar embriagado, e foi morto por volta de 18h40. Ele não consumiu bebida no local, veio de outro lugar.
Nesse meio tempo, uma testemunha afirmou ter ouvido autor e vítima discutirem sobre uma suposta dívida, e imagem de câmera melhor posicionada no pátio da rodoviária, mostra que às 18h34 Edson desfere um tapa no rosto de Valdinei, que sai em uma bicicleta, volta e mata Nego a golpe de faca.
DEPOIMENTOS DE TESTEMUNHAS
Após ouvir a mulher, lavadeira de roupas considerada a principal testemunha após os fatos, a equipe de investigação da Polícia Civil tomou conhecimento que ela foi ex-companheira da vítima, e que ela realmente prestou serviços para Valdinei por meio de indicação de Edson Jardim.
Todavia, a mulher também esclareceu que o indivíduo que contratou o serviço de lavagem de roupas já tinha combinado com ela de pagá-la no dia 2 de março, que seria na segunda-feira seguinte, dois dias depois do encontro que originou no assassinato.
No inquérito relatado pelo delegado Niki Locatelli, para ser remetido ao Ministério Público, constam também imagens colhidas na investigação que mostram Valdinei seguindo pela Rua José Lenk em direção aos apartamentos onde residia, com o fim de buscar a faca que
viria a utilizar no crime. Ele foi e retornou em 3 minutos, e novamente a vítima foi ao seu encontro, e foi golpeado quatro vezes.
A conclusão da Polícia Judiciária é a de que, após ingerir bebidas alcoólicas, a vítima do homicídio decidiu cobrar a dívida por conta própria e sem o consentimento da lavadeira de roupas popular no bairro.
LEGÍTIMA DEFESA OU VINGANÇA – ACERTO DE CONTAS?
O fato de estar comprovado que a vítima Edson Jardim praticou agressões físicas contra o autor do homicídio Valdinei antes do desfecho fatal, no relatório do delegado Niki Locatelli não deverá considerar que estão presentes os requisitos legais que caracterizam a legítima defesa, nos termos do art. 25 do Código Penal, pela análise das provas produzidas.
O autor se afastou em uma bicicleta quando Edson desferiu um tapa em suas costas, ali a agressão havia cessado, mas retornou à sua residência para buscar a faca e voltou ao local onde sabia que Edson ainda se encontrava. Esse comportamento, de se armar deixou a evidencia que Valdinei não agiu para repelir uma agressão atual ou iminente, mas movido por ânimo de vingança ou acerto de contas, razão pela qual deverá responder, no mínimo, por homicídio simples.





