Correio Central

EUA envia ao Brasil mais um avião com 36 deportados, incluindo um foragido

Os principais motivos para deportação de brasileiros dos EUA incluem entrada ilegal, estadia irregular (overstay), trabalho sem autorização, cometimento de crimes graves e a intensificação de operações do ICE (Imigração e Controle de Aduanas).

Um grupo de 36 brasileiros retornou ao Brasil nesta quinta-feira (26/03), em mais uma operação de acolhimento humanitário de repatriados que foram deportados dos Estados Unidos. O voo pousou no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG), às 5h15.

De acordo com a coordenadora da Organização Internacional para as Migrações (OIM) na operação Aqui é Brasil e porta-voz da ação, Mariana Medeiros, devido ao horário, os recém-chegados serão recepcionados e atendidos no decorrer do dia pela equipe interdisciplinar do programa Aqui é Brasil — iniciativa lançada para assegurar um atendimento digno, humanizado e com garantia de direitos às pessoas que retornam ao país em situação de repatriação ou deportação.

“Eles devem tomar um café da manhã antes de serem encaminhados para a sua cidade de destino ainda hoje. Toda a operação deve acontecer no mesmo dia”, explicou. O grupo contou com serviços como alimentação, kits de higiene, apoio psicossocial, acompanhamento médico e psicológico, além de orientações e suporte logístico para o deslocamento.

Perfil

O grupo de 36 repatriados é composto por 34 homens (94,44%) e duas mulheres (5,56%). Entre eles, há uma pessoa procurada pela justiça. Não foram identificados núcleos familiares nem casos médicos entre os retornados.

Em relação à faixa etária, a maioria do grupo (16 pessoas) tem entre 18 e 29 anos. Também chegaram nove pessoas entre 30 e 39 anos, mais nove entre 40 e 49, uma entre 50 e 59 anos e uma pessoa idosa.

Aqui é Brasil

O Aqui é Brasil é um programa de acolhimento humanitário coordenado pelo MDHC, em parceria com os ministérios das Relações Exteriores (MRE), do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Saúde (MS) e da Justiça e Segurança Pública (MJSP), além de governos estaduais, Polícia Federal (PF), Defensoria Pública da União (DPU), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e organismos internacionais, como a OIM. A iniciativa tem como foco garantir assistência emergencial e acompanhamento continuado, assegurando acesso a serviços essenciais e a proteção da dignidade e dos direitos humanos de todos os brasileiros atendidos.

Como parte do compromisso com a transparência e o aprimoramento das políticas públicas, o MDHC e a OIM lançaram um painel de indicadores, onde podem ser verificadas informações demográficas das pessoas atendidas, zelando pela preservação de suas identidades. A plataforma amplia o acesso da sociedade a informações atualizadas sobre as operações, fortalecendo o controle social e a formulação de políticas baseadas em evidências.

Também está em funcionamento o Centro de Referência em Direitos Humanos para Pessoas Repatriadas e Migrantes (CREDH-RM), instalado no 1º piso do Terminal de Passageiros 1 (nível superior ao Check-in 1) do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG). O espaço oferece atendimento interdisciplinar em direitos humanos, realizado por equipe técnica especializada, com foco na qualificação da escuta, na identificação adequada das demandas e na promoção da cidadania.

Operações anteriores

Desde sua criação, no ano passado, o programa Aqui é Brasil já contabiliza 46 operações realizadas, possibilitando o retorno de mais de 3,7 mil brasileiros em situação de vulnerabilidade, majoritariamente oriundos dos Estados Unidos.

Em 2026, a política pública mantém ritmo contínuo de execução, com ações de acolhida registradas nos dias 7, 14 e 30 de janeiro; 5, 11, 16 e 28 de fevereiro; e 6, 11, 18 e 26 de março, reforçando o compromisso permanente do Estado brasileiro com a recepção humanizada e a proteção de seus cidadãos no processo de retorno ao país.


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