Correio Central
Voltar Notícia publicada em 07/04/2017

Mini leiteria tecnificada em Ouro Preto, na 08 da Linha 81, surgida em um quintal, mostra o caminho a ser seguido

Marcio em quatro meses plantou capim, irrigou, fez piquetes e comprou cinco vacas fiado para montar uma leiteria

Por Edmilson Rodrigues - A otimização da produção com emprego da tecnificação chegou definitivamente nas pequenas propriedades e o objetivo dos micro-empreendedores rurais é produzir cada vez mais, no menor espaço possível.

Ouro Preto do Oeste, o primeiro polo produtivo de leite da região amazônica, não ficou de fora e quem quer prosperar e acompanhar essa nova realidade está se movimentando, e os novatos iniciam com tecnologia disponível e apoio técnico.

A produção de leite em uma pequena área de uma chácara de 1 alqueire localizada na região rural de Ouro Preto d’Oeste, no quilômetro 09 da RO-470 (linha 81), é utilizada pelo escritório regional da Emater como experimento para demonstrar como um local que aparentemente serviria apenas como terreiro da propriedade, e poderia no máximo comportar uma horta caseira pode ser rentável, desde que seja aplicada a técnica correta.

O resultado obtido em três meses pelo agricultor chacareiro Marcio Faria Rita, de 38 anos, com uma criação de cinco vacas de leite em uma área de pasto com 21 piquetes rotacionado com irrigação medindo 18 x 18 metros cada piquete, se ele contar na cidade certamente será chamado de mentiroso. O experimento iniciado no ano passado, no período de seca, foi o pontapé para outros criadores acordarem. Marcio tem outra atividade, que é fazer tratamento e limpeza de piscinas na cidade.

Marcio fez a entrega de 1.500 litros de leite recebendo R$ 1,32 por litro apenas com as cinco vagas gir ¾ que pastam nos pequenos piquetes rotacionado, quando o preço estava abaixo de 1 real. “Eu não tinha nada, nem vaca, e agora estou indo para o quarto mês e cada vaca minha está produzindo média de dez litros de leite por dia, enquanto na vizinhança tem gente que não consegue produzir dois litros em uma ordenha por dia”, comemorou o jovem empreendedor rural à época.

As vacas pastam todo dia em um piquete diferente, e após 21 dias elas voltam ao primeiro piquete. Enquanto dura o período de pastejo de um piquete para o outro, o capim irrigado cresce em media 90 centímetros, e não falta alimento nutritivo para as vacas. Por isso, as vacas de Marcio produzem 10 litros por dia enquanto as da vizinhança não atingem quatro litros em duas ordenhas.

Nessa matemática positiva, uma vaca alimentada no sistema rotacionado e irrigado da pequena criação do jovem criador rende por quatro a cinco vacas dos vizinhos, que utilizam o modelo de pastejo tradicional. A pequena área de chácara de Marcio Faria ainda tem três tanques para criação de peixe, sendo dois medindo 50x30 metros e outro de 50x50, com capacidade para até 1.40 alevinos.   

Mario aderiu em setembro de 2015, a Cooperativa dos Produtores de Leite do município de Ouro Preto do Oeste que uniu 25 criadores de gado de leite em torno do objetivo de ganhar mais produtividade com o incremento da melhoria genética dos animais, promoverem a aplicação de calcário e insumos na terra, iniciar o manejo com piqueteamento rotacionado das pastagens para melhorar a alimentação do gado e, por fim, discutir com laticínios o preço pago no litro in-natura próximo da média nacional.

Em Rondônia, os laticínios determinam o preço pago por litro de leite, e esta realidade tem desestimulado muitos produtores a continuarem nessa cadeia produtiva. Os 25 criadores cooperados de Ouro Preto do Oeste produzem média próxima de 30.000 litros de leite por dia, e já contribuíram para o preço do litro do leite não cair em boa parte do Estado.

ACOMPANHAMENTO TÉCNICO

Marcio aceitou participar do programa de incremento da Emater, e com apoio de um extensionista do escritório de Ouro Preto para atendê-lo com exclusividade, seguiu todas as regras e orientações que recebeu. Primeiro ele fez a análise do solo, adquiriu 2 toneladas de calcário e aplicou na área dos piquetes. Em seguida Marcio aplicou adubo e plantou capim Mombaça, e montou o sistema de irrigação. Por fim, adquiriu as cinco vacas.

A experiência de Marcio a alternativa mais apropriada para os pequenos agricultores que vivem da agricultura familiar. “O piquete da área do Macio é dimensionado em 80 metroa quadrados por vaca dia. Quando tira as vacas ele faz uma adubação nitrogenada a base de uréia”, explica o agrônomo.

Marcio Faria Rita é o menor de um grupo de 25 criadores de gado de leite cooperados que aderiram ao programa de otimização da produção com as alternativas e orientações oferecidas pela Emater. Por estarem cooperados, esses criadores todo mês recebem mais por litro de leite que outros produtores, e a diferença do preço pago a eles no período atípico por litro varia de R$ 0,30 a R$ 0,40 por litro.    

A IRRIGAÇÃO MANTÉM O PASTO FARTO DURANTE O PERIODO DE ESTIAGEM

 

     

 

Fonte: www.correiocentral.com.br