Correio Central
Voltar Notícia publicada em 08/10/2020

Polícia Civil ouve suspeitos de Nova União e vítimas de suposto furto de gado na Linha 12 da 37

Os crimes investigados são furto qualificado, receptação e associação criminosa”, adiantou o delegado Niki Alves Locatelli.

A Polícia Civil se manifestou a respeito da denúncia publicada ontem pelo site Correio Central sobre um suposto furto de 18 vacas PO prenhas e o desaparecimento de mais 40 cabeças de bovinos, de uma propriedade rural que fica localizada na Linha 12, da vicinal 37, em terras rurais do município de Ouro Preto do Oeste, que pertence a um produtor rural do município de Nova União.

“Ainda estamos apurando toda a situação, ouviremos mais testemunhas e juntaremos provas de mensagens e áudios sobre os fatos para conclusão do inquérito. Os crimes investigados são furto qualificado, receptação e associação criminosa”, adiantou o delegado Niki Alves Locatelli.

“A polícia vai ouvir todo mundo, vai juntar provas, vai atrás de novas testemunhas, áudios, filmagens, conversas e no final a gente vai tomar a decisão pelo indiciamento ou não dos envolvidos”, disse.

No caso em investigação, a culpabilidade do suposto crime recai sobre o candidato a vereador e servidor da EMATER e ao vaqueiro funcionário da propriedade onde ocorreu o furto de gado.    

Uma série de áudios foram entregues pelas vítimas do suposto furto e, preliminarmente, nas audiências de ontem foram ouvidas quatro pessoas, incluindo o interrogatório dos suspeitos. A reportagem não vai divulgar declarações constadas em determinados áudios em razão de os arquivos já estarem em poder da Polícia Civil Judiciária.

A reportagem conseguiu apurar que, em princípio, em depoimento o rapaz que foi acusado de comprar o gado negou que soubesse que o gado era furtado e que recebeu um link online de GTA (Guia de Trânsito Animal), mas que não foi possível abrir para confirmação.

Ele teria dito em depoimento que só comprou 18 cabeças pelo preço justo e que se soubesse que eram furtadas não teria comprado, e em depoimento afirmou que devolveu espontaneamente o gado e não sabe das demais cabeças.

Ocorre que, os proprietários do gado não comercializaram gado algum, sequer autorizaram alguém a fazê-lo, conforme a denúncia de uma das filhas do dono das vacas devolvidas que fez a recontagem dos animais e percebeu a falta de mais 40 cabeças de bovinos.

O caseiro também negou que tenha furtado e disse que foi “enganado” por um homem que disse que o gado que estava na terra do seu patrão lhe pertencia e que se vendesse para alguém iria ganhar comissão.

A reportagem recorreu a um profissional da IDARON sobre como é o procedimento online de emissão de GTA, que só pode ser solicitado pelo dono do gado mediante login e senha pessoal. “Se o dono tivesse feito isso era como se ele legalizasse o furto do seu gado”, comparou, achando improvável que haja sustentação dessa possibilidade ter ocorrido.

A reportagem recorreu a uma das vítimas para checar se o vaqueiro tem acesso a senha da IDARON e obteve a seguinte resposta:” “Funcionário (nosso) não tem acesso à Idaron. Pra ter, ele teria que ter uma procuração registrada em cartório. Nos mostrem esse GTA?”.

A revolta de um familiar que tem parte nas 40 cabeças de gado que estão desaparecidas é o fato de nos áudios haver indícios e suficientes de que houve um furto e desaparecimento de quase 60 cabeças de bovino na propriedade rural da Linha 37, e isso é negado.

Os crimes de furto de gado na região central de Rondônia têm causado apreensão nos pecuaristas e produtores rurais em geral. Em Ouro Preto do Oeste, houve vítima que teve 100 cabeças de animais furtados e até hoje não recuperou o gado.

A matéria do site denunciando o suposto furto em Nova União gerou uma corrente de pessoas em defesa de políticos das cidades de Nova União e Mirante da Serra, com intuito de desmerecer e desacreditar o conteúdo publicado sobre o assunto.

Razão pela qual, a reportagem não tem a versão dos acusados que na Delegacia negam os fatos, mas desde o início, como disse uma das vítimas, não queriam publicidade dos fatos e pretendiam “resolver” devolvendo as vacas. Ocorre que ainda falta aparecerem 40 bovinos que desapareceram da propriedade na Linha 12 da vicinal 37.

Os crimes apurados pela Polícia Civil são furto, receptação e associação criminosa. disse o delegado

 

Fonte: www.correiocentral.com.br