Correio Central
Voltar Notícia publicada em 12/05/2020

Vereador de OPO é chamado de covarde e parasita ao ofender mulher que vive de pensão

Até uma ativista e feminista de São Paulo se doeu com as ofensas do vereador e o chamou de canalha.

O vereador presidente da Câmara da Estância Turística Ouro Preto do Oeste Josimar Rabelo Cavalcante, que adotou o nome “J. Rabello”, com duas letras L, usou quase meia hora da sessão ordinária da Câmara Municipal para atacar e ofender o responsável pelo site Correio Central, assim como fez na sessão da semana passada.   

O vídeo foi publicado na página oficial da Câmara no Youtube e até a manha desta terça-feira tinha 105 visualizações, incluindo a visualizada feita pelo editor desta publicação. O vereador J. Rabello não aceita o fato de o site ter publicado uma matéria cobrando o objetivo de adquirir uma caminhonete zero-quilômetro por quase R$ 178 mil.

Vários leitores enviaram print do vídeo da fala do presidente na sessão da Câmara, a publicação foi espalhada em grupos de WhatsApp. No entanto, como a resposta ao vereador foi dada fora da esfera pública, no Facebook dele que apagou, seria apenas um momento odioso do político.

Só que não. Uma mulher, Elizângela Medina, 33 anos, fez print do Facebook do vereador e distribuiu nas redes sociais provocando ainda mais ódio no presidente do Poder Legislativo que costuma dizer que teme apenas a “mão de Deus”. E ela veio.

“Não trabalha, ‘veve’ de pensão. Ela já publicou pra deus e o mundo ver. Maravilha, parabéns pra ela, como se aquilo fosse verdade”, disse o vereador referindo-se a Elizângela Medina, em tom de deboche, como se mulher que vive de pensão do ex-marido não tem utilidade.

“Vereador Bruno (Brustolon) tá rindo porque ela ‘veve’ de pensão, ‘veve” de pensão de suas filhas”, completou. O que o vereador não esperava era a reação da pensionista que tem outra função e atua como vigilante profissional regulamentada, e está de licença devido a pandemia do coronavírus por ter dois filhos pequenos.

O influencer digital politizado Frankis Bruno - #merepresenta editou a parte que J. Rabelo ofende Elizângela Medina por ela receber uma pensão consensual de seu ex-marido, um sargento do Corpo de Bombeiros de Rondônia, e postou em seu canal.

Elizângela Medina postou a publicação do repórter em sua página de Facebook e escreveu: “O vereador J. Rabello disse hoje na sessão da Câmara que eu vivo de pensão, que eu vivo da pensão das minhas filhas e somente disso. Então eu mandei fotos do meu contrato de trabalho para ele, e como sempre o covarde não respondeu! Vereador graças a Deus eu ganho uma pensão muito boa mesmo e poderia sim viver só disso, porém eu trabalho, eu tenho a profissão que eu amo e você, nem profissão você tem!!!. Você não passa de um parasita que mora de graça na casa da rádio 104,9 sem pagar aluguel, água nem Luz. E ainda por cima ganha um salário da rádio! Meu querido eu pago as minhas contas e não devo nada para ninguém seu #MENTIROSO.”

A reportagem apurou que Medina disse a verdade. O presidente da Câmara mora na residência da Super 104,9 FM, emissora da Igreja Assembleia de Deus (IEAD), não paga aluguel, água, energia, e ainda continua recebendo 1 salário mínimo por mês como locutor. Ele também atua como vigilante do local.

“Eu tenho uma profissão e você só tem esse mandato e mais nada, a partir do ano que vem vai voltar a vender ovos para se sustentar! Meça suas palavras ao falar de mim seu #PARASITA, pois eu não sou da sua laia.”, finaliza o texto Elizangela na sua página.

A reação de internautas provocou vários comentários, com destaque para o da ativista política Elisangela Bragança, de São Paulo, coordenadora nacional do Movimento Brasil à Direita: “O que esse vereador FDP tem com mulheres que vivem de pensão? Isso é preconceito! Ele tem é que tomar vergonha na cara dele!! Esse machista canalha”.

A leitora Dinha Cataluna emendou: “Esse analfabeto não sabe nem falar certo, não se fala véve pq não é veda é vive pq e vida”.

“Cada coisa q vejo, em vez correr atrás de verbas pra saúde, vai ficar de fofoquinha francamente q vergonha senhor vereador.” Escreveu Jessica Rodrigues.

Mais embaixo, outra mulher que no perfil aparece como divorciada escreveu: “Jota Rabello melhor viver de pensão do que viver fazendo vergonha na população de ouro preto vc não faz nada pra cidade seu rato imundo só espero que a população de ouro preto escolhe gente honesta da próxima vez pq vc alen de ser um verme ainda e um lixo vira homem seu moleque vc acha isso bonito ta desmoralizando as pessoas numa tribuna ela pode até viver de pensão Pelo menos ela tem caráter e vc qual é o seu caráter msm?”.

E ainda fez uma cobrança de campanha: “Vc devi uma amiga minha que trabalhou de formiguinha pra vc até hoje nunca pagou agora vem quer ser o pica groça nojo eu tenho de vc querer humilhar as pessoas se toca seu lixoooooo hoje vc pode acha que tá por cima amanhã pode fazer aí vendeno picolé cuidado com a volta que o mundo da”.

“Uai, eu não sabia que pessoas que recebem pensão são proibidas de fazerem críticas a políticos”, questionou Cláudio Moura de Menezes

O internauta Alex Borges emendou que o vereador J. Rabelo “Na verdade ele não aceita crítica de ninguém.” e mais abaixo Alex denuncia que o vereador “usou a tribuna e o cargo para benefício próprio.” Os comentários são muitos.

O vereador J. Rabello não usa o direito que tem para responder a reportagem que cobra o objetivo de ter adquirido uma caminhonete, fez xingamentos vulgares contra o editor responsável pela matéria e diz que houve má-fé e associação na publicação que revela que ele, em 2018, ano eleitoral, reformou o prédio da Câmara ao custo de R$ 414 mil, e construiu um chafariz em frente ao “Palácio” Lourival da Cruz Nascimento.  

O vereador também tenta acusar o site de desrespeitar o prefeito Vagno Gonçalves Barros; repete que o filho deste editor trabalha na prefeitura e recebe R$ 2.000,00. Com muito orgulho, o filho do editor realmente trabalha na prefeitura porque foi convidado para fazer parte da equipe de gabinete.

Não existe barganha com o prefeito nem interferência alguma da parte de ninguém, e o contratado vem revolucionando as publicações nas redes sociais da prefeitura e trabalho em dois períodos, sem faltar um dia da semana.

Agora, diferente do que o vereador moralista J. Rabelo disse usando a estrutura da Câmara, o salário do contratado foi reduzido devido a pandemia do novo coronavírus, e deve ser em torno de R$ 1.400,00, e ele continua trabalhando dia e noite, agora também com a comissão de enfrentamento ao coronavírus, dignificando seu vencimento.

Quanto as ofensas proferidas pelo vereador ao jornalista, são ossos do ofício, quem quiser assistir basta entrar na página do Youtube da Câmara. A editoria do site não vê importância em dar voz a um vereador que deveria se preocupar com o caos e incertezas que a sociedade vive, e não ficar usando a estrutura do Poder Público para ofender as pessoas.

Desta vez ele mexeu com as mulheres, feministas e ativistas, deixando a entender que mulher que vive de pensão é incapaz, ou improdutiva. “A mão de Deus” veio para o vereador pelas mãos das mulheres que estão devolvendo a ele todas as ofensas que ele fez na tribuna da Câmara, na página social da vigilante Elizângela Medina.    

Fonte: www.correiocentral.com.br