Correio Central
Voltar Notícia publicada em 01/11/2019

Cultura do urucum cresce no Vale do Guaporé e fortalece a economia dos municípios

Ucuruns produzidos em Rondônia estão entre os melhores do país porque possui alto teor de bixina – a tinta vermelha que dá a coloração.

O cultivo comercial do urucum no estado de Rondônia foi iniciado há duas décadas, e graças aos resultados obtidos de 10 anos para cá, hoje a cultura vem sendo introduzida em várias regiões e atraindo agricultores familiares. O estado de Rondônia já é o segundo maior produtor do país.

A cultura do Urucum vem crescendo satisfatoriamente nos municípios instalados na região vale do Guaporé, no eixo da BR 429, a região que desponta na produção é o distrito de São Domingos seguido do município de Seringueiras e São Miguel do Guaporé.

Em 2016, São Domingos colheu cerca de 800 toneladas, o que financeiramente representou R$ 6,5 milhões circulando no Distrito. Em 2017, São Miguel que tinha 80 alqueires de área plantada implantou cerca de 340 há da cultura em pequenas propriedades, ampliando alternativa de renda para agricultores familiares.

Em São Miguel do Guaporé, por exemplo, o jovem casal de agricultores Everton Morais Pereira, de 33 anos, e Keyla Silva Pereira, de 19, que estão localizados em uma pequena propriedade no Km 04 da BR-429 cultiva lavoura de Urucum em área de 2,5 hectares, alternado com plantio de maracujá e café, e possui oito vacas leiteiras.

O casal recebe assistência técnica da Emater. Na lavoura de 2,5 hectares com 2.500 pés de urucum, Everton conseguiu colher 3,6 toneladas. Cada pé de urucuzeiro produz média de 1,4 kg.

A rentabilidade comprovada do urucum permite que o agricultor obtenha bom lucro em reduzir o espaço de terras, pode-se produzir até 2,5 toneladas por hectare.  

Da semente do urucum extrai-se o carotenóide, uma substância chamada bixina, utilizada como colorífico e corante em mais de 500 produtos pelas indústrias alimentícias, farmacêuticas, de cosméticos e perfumarias, tintas e têxteis, e a substância do corante do urucuzeiro não contribui para ações cancerígenas.   

Ucuruns produzidos em Rondônia estão entre os melhores do país porque possui alto teor de bixina – a tinta vermelha que dá a coloração, entre 4% e 5% conforme constatação do Instituto Agronômico (IAC) de Campinas (SP). 

A expectativa da Seagri e Emater para esta safra é a de que a produção dobre com o domínio da técnica adquirida pelos plantadores de urucum.  

PIONEIRISMO

O entusiasta da cultura do urucum em Rondônia é o agricultor familiar Arlan Edson dos Santos, de 38 anos, de Cabixi, na região do cone Sul, que em 2004 buscou aprimorar conhecimentos sobre o cultivo do ucuruzeiro e instalou na cidade a Verto Agroindustrial, uma agroindústria de processamento de corante natural que hoje se consolida como a segunda maior do segmento no país, perdendo apenas para uma unidade em São Paulo (SP).

A agroindústria de Cabixi produz em média 100 toneladas de urucum por ano em área própria medindo 200 hectares, e adquire à produção de agricultores familiares, os números são satisfatórios e o índice de produção é crescente.

CADEIA PRODUTIVA

CLIMA E SOLO

O urucuzeiro adapta-se às mais variadas condições climáticas. São condições consideradas ótimas para a cultura: alta luminosidade, quantidade de chuva acima de 1.200 milímetros bem distribuída durante o ano e temperaturas entre 20 e 26 graus centígrados, com máxima de 37.

ESCOLHA DA VARIEDADE

A variedade mais recomendada para Rondônia é a PIAVE VERMELHA

Produção de 2,7 kg/planta no segundo ano.

830 plantas por hectare.

Produtividade esperada no segundo ano de 2,2 T/ hectare no segundo ano

PRODUÇÃO DE MUDAS

As mudas do urucuzeiro são produzidas normalmente por semeadura em sacos plásticos ou em canteiros a uma profundidade de 1 a 2 cm em viveiros

TRATOS CULTURAIS

O urucuzeiro deve permanecer sempre no limpo na linha de plantio, principalmente próximo á copa, num raio de 1 metro do tronco. O urucuzeiro tem-se comportado bem em sistemas de sequeiro.

PRAGAS E DOENÇAS

Os prejuízos maiores são causados pelas formigas cortadeiras por elas serem muito rústicas, enquanto as doenças e demais pragas não chegam a comprometer a produção do urucuzeiro.

CULTURAS INTERCALARES (CONSORCIO)

Ocasionalmente, podem-se plantar, na área central das ruas, os feijões, o milho, a mandioca, o abacaxi, o amendoim e as abóboras, desde que não ocupem mais do que 1 quarto da largura das ruas.

COLHEITA

O corte das cápsulas ou cachopas é realizado quando um terço delas estiver seco, com a cor castanho-escuro. Geralmente de 100 a 120 dias após a abertura das flores. Podem ser cortadas com tesoura de poda, faca ou canivete e conduzidas em balaios, as cachopas são esparramadas em terreiro, lonas ou telados para completarem a secagem.

COMERCIALIZAÇÃO

O mercado de grãos de urucum tem-se mantido firme, com elevações significativas dos preços. O uso de corantes artificiais, cujas formulações possuem propriedades cancerígenas, tem sido evitado em países como os Estados Unidos, Japão e alguns da Europa.

ABERTURA E PREPARO DAS COVAS O espaçamento mais recomendado é de 4 x 3, com dimensões das covas de 40 x 40 x 40 centímetros.

Texto: Edmilson Rodrigues com informações da Emater de São Miguel do Guaporé - Imagens: Emater

Fonte: www.correiocentral.com.br