Comunicamos com pesar e tristeza o falecimento de José Inácio Neto, que ficou popularmente conhecido em Ouro Preto do Oeste por Zé Coronel, aos 79 anos de idade.
“Zé Coroné”, como costumavam chama-lo na cidade, passou os últimos meses acamado, seu quadro se agravou e ele foi encaminhado para tratamento em Porto Velho. A família comunicou o falecimento às 20h30 da noite deste sábado, 4. O corpo é velado na capela da Associação Vida Nova e o sepultamento será às 14 horas.
José Inácio nasceu no dia 7 de abril de 1946, Monte Belo-MG, mas veio para Ouro Preto do Oeste há 48 anos, com 31 anos de idade. Ele sempre ganhou muito carinho da família, dos amigos, e da maior parcela da população ouro-pretense.
Sempre há na cidade um morador pioneiro, membros da comunidade católica e personagens locais que tiveram momentos inusitados e engraçados no passado, ao se depararem com o vigilante Zé Coroné na rua.
Desde o início da formação da localidade de Ouro Preto, ainda território dependente de Ji-Paraná, em todas as procissões ou programação na Igreja Católica, hoje Santuário de Nossa Senhora Aparecida, José Inácio era um dos primeiros a chegar.
À frente das procissões, com um apito, Zé Coronel ia corrigindo o trânsito e dando bronca em quem invadia o espaço da rua; ele também ficava na rua nos trechos de percurso dos desfiles cívicos escolares monitorando tudo.
São situações engraçadas e divertidas, e que o colocam no rol de figuras que jamais serão esquecidas por quem o conheceu ou soube de alguma situação proporcionada pelo Zé Coroné com seu estilo eternamente ‘militarizado’.
Como ele sempre demonstrou uma paixão por fardas de soldado ou de policial militar, logo ganhou um uniforme de soldado de amigos, e houve um período que Zé Coronel andava ‘armado’, com uma pistola de plástico, e um cassetete. Aí que surgiram histórias e estórias que fazem do Zé Coroné uma lenda local.
Zé Coroné já deu carreira em muita gente desavisada, abordou desde pioneiros que chegavam à cidade em caminhões de mudança a viajantes, vendedores e pessoas aleatórias que vinham a Ouro Preto do Oeste e não sabiam que ele não era policial de verdade.
Certa vez, um vendedor de panela deixou sua mercadoria pra trás no centro da cidade e só parou quando gritaram com ele que o Zé era gente boa, o colega do ambulante já estava vencendo o morro da AABB. Bêbado xarope também passava apuro com ele, quando era mais jovem.
Todavia, quando a pessoa que achava estar sendo abordada diante de um policial ou soldado, e se aproximava o Zé Coroné agia como uma criança, não tinha resposta e no máximo dizia “tá liberado”.
Após vencer um câncer de nariz, José Inácio deixou de circular menos pela cidade. A farda de soldado foi tirada dele pela família depois de um episódio em que policiais rodoviários federais que vieram à cidade registrar um acidente de um veículo oficial, um agente achou que ele estava portando arma de verdade e apreendeu a arma de brinquedo do Zé.
O jornal Correio Central, em nome da sociedade local, se solidariza com a família nesse momento de tristeza pelo passamento de José Inácio Neto, que deixa lembranças positivas da história do município.
Familiares enlutados, neste momento de profunda dor, agradecem a solidariedade dos amigos e a todos da comunidade ouro-pretense que manifestam condolências.




