Correio Central

Em Ouro Preto (RO), crianças relatam à polícia sobre comportamento assustador do estranho da moto que seguiu ônibus escolar; ele mandou uma criança correr

Um homem com mandado de condenação por estupro, expedido em 20 de outubro pela Justiça, foi preso na Linha 115 numa ação da PM que fez campana na região. A Polícia Civil informou que está concluindo a investigação para confirmar a identidade do suspeito que assediou crianças e adolescentes no trajeto do ônibus escolar. 

Em relato à Polícia Civil, alunos que viajaram no ônibus escolar nesta quarta-feira (29/10) de Ouro Preto do Oeste para a área rural, com a rota iniciando pela RO-470, comunidade Cornejo passando por várias comunidades rurais e fundiárias de vicinais, contaram detalhes de como foram abordados pelo indivíduo de motocicleta que seguiu a embarcação escolar até onde ele quis.

O ônibus escolar faz a rota da linha 115, que sai da linha 200 em direção a linha 199, depois contorna à esquerda na RO-470, em sequência, novamente à esquerda na linha fundiária, depois a linha gleba 14 (linha 80 do Tocari) e linha fundiária. Foram ouvidos relatos de duas crianças, com 8 e 10 anos, um adolescente com 13 anos e uma adolescente de 14 anos

A cada parada do ônibus que tinha o motorista com uma monitora e os estudantes o sujeito parava a motocicleta e interagia com alunos de 10 e 11 anos, e também chegou a interceptar uma adolescente de 14 anos que desceu em um trecho do trajeto. Com a adolescente ele falou pouco, pois um parente dela teria ido até a estrada busca-la, e ele deixou o local.

Já com duas crianças, um menino e uma menina, com idade de 10 anos, ele teria mandado só o menino correr, e espertamente correrem os dois. Muitos pais que estão preocupados com esse episódio, enviaram áudios à redação do Correio Central cobrando providências para que motorista e monitores, responsáveis pela embarcação escolar, sejam orientados a agir num caso como esse registrado na semana passada.

Os alunos relataram que seguiam o trajeto com o Ônibus escolar, quando perceberam que uma moto, Provavelmente Honda Bros, de cor vermelha seguia o ônibus e não ultrapassava, parando atrás sempre que o ônibus estacionava, e acionava o motor da motor ia atrás quando o ônibus seguia viagem.

Quando um aluno de 13 anos desceu do ônibus, o motoqueiro o chamou, porém o garoto disse que ia chamar a sua mãe e retornaria, momento em que o motoqueiro decidiu sair e continuou seguindo o ônibus.

No momento da parada para a descida de uma aluna de 10 anos, e de um menino de 8 anos, numa parada da linha fundiária, motoqueiro novamente abordou as duas crianças e perguntou se a casa deles ficava longe, perguntou o grau de parentesco de ambos. Apesar de pequenos, as crianças foram espertas, disseram ao indivíduo estranho que a casa era pertinho, mas não sabia o motoqueiro que eles residem a meio quilômetro de onde desceram.

Ainda assim, o motoqueiro ordenou que somente o menino corresse, porém os dois correram juntos para longe do sujeito.

O motociclista não desistiu e continuou seguindo o ônibus e mais à frente abordou uma aluna adolescente, de 14 anos. Ele perguntou com quem ela morava e quantas alunas tinha no ônibus, e ao perceber a aproximação de um avô da aluna, que a aguardava ele deixou o local e continuou seguindo o ônibus.

Após mais essa abordagem, a monitora do ônibus escolar se encorajou e decidiu abordar o motociclista questionando por que ele estava seguindo o ônibus, o sujeito despistou dizendo que não morava ali e só estava conhecendo a linha. Ao chegar ao final da linha, o motorista e a monitora fizeram contato com responsável pela empresa informando o ocorrido.

 

EM TEMPO:

DESABAFO

Um pai de alunos que utilizam o transporte escolar, e pediu sigilo de sua identidade, cobrou responsabilidades dos poderes públicos municipais; ele lembrou que a Câmara Municipal da Estância Turística de Ouro Preto do Oeste que tem o poder de fiscalizar serviços fundamentais como o transporte escolar teve o número de vereadores elevado de 9 para 11 na última eleição, mas em termos de fiscalização efetiva das atividades da Municipalidade, sobretudo no transporte escolar, em nada mudou.

 

“Já passou da hora de os vereadores saírem das redes sociais e cumprirem seu papel, eles sequer têm conhecimento da aflição e do medo que nós os pais estamos passando com esse caso, não houve nenhuma manifestação de cobrança ou de apoio nas redes sociais deles sobre o assunto, é como se nada estivesse acontecendo”, desabafou.