Correio Central

Em Júri formado por 6 mulheres, pecuarista Darlene Vitorino é condenada a 19 anos e 8 meses pelo homicídio do produtor rural Tiago Constâncio

“O julgamento mesmo vem de Deus, a nossa dor somente Ele para amenizar, nada trará nosso Tiago de volta, mas tudo nessa vida tem consequências e a pessoa má que faz maldades automaticamente terá consequências ruins também”, declarou a advogada, viúva da vítima, que trabalha na prefeitura de Ouro Preto do Oeste, após o fim do julgamento.

 

A pecuarista Daurene Vitorino da Silva, hoje com 57 anos, réu confessa do assassinato do também pecuarista Tiago Constâncio, em crime cometido na manhã do dia 21 de novembro de 2023, em uma propriedade rural no município de Mirante da Serra (RO), foi condenada pelo Tribunal do Júri da Comarca de Ouro Preto do Oeste nesta quarta-feira (26/11) a pena de 19 anos e oito meses de prisão, sendo 17 anos e 8 meses pelo crime de homicídio, e 2 anos pelo crime de porte ilegal de arma de fogo.

O Tribunal do Júri que atuou no julgamento de Daurene Vitorino foi formado por seis mulheres e um homem. A promotora Naiara Ames de Castro Lazzari representou o Ministério Público que obteve a condenação da ré presa, a Juíza de Direito Simone de Melo, titular da 1ª Vara Criminal da Comarca, presidiu o Júri Popular.

PENAS NÃO CUMULATIVAS: Vale ressaltar que as duas penas não são cumulativas, como Daurene foi presa de posse da arma que ela usou para matar Tiago pegou mais dois anos a serem cumpridos no regime semiaberto, fora do presidio.

Com a pena máxima, a defesa acredita que Daurene poderá cumprir em torno de 5 anos no regime fechado e já sair para o semiaberto, caso tenha bom comportamento, somado as remissões –como estudar, trabalhar no presídio, etc.

A pecuarista cumpre pena no presídio de Jaru assim como as demais presas da comarca, pois a Casa de Detenção Ouro Preto do Oeste não tem mais a ala feminina. Em contato com o Correio Central, o advogado Odair José da Silva, que conduziu os trabalhos da defesa técnica no julgamento, e defendeu a tese de legítima defesa, afirmou que irá recorrer da sentença, para tentar reduzir a pena.

Daurene ficou presa por 4 meses e 25 dias após ser capturada, mas ela se valeu de um habeas corpus para se defender em liberdade e fugiu em abril de 2024. No dia 7 de junho deste ano ela se entregou na Delegacia de Polícia Polícia Civil em Ouro Preto do Oeste, acompanhado do seu advogado.

O crime contra Tiago Constâncio causou indignação na população da região Central e teve grande repercussão em todo o estado de Rondônia. A pecuarista discutia com o pai da vítima havia cerca de 15 anos por uso de estrada, o filho dele retornou dos Estados Unidos e acabou morto por um único tiro disparado por Daurene.