Correio Central
Voltar Notícia publicada em 15/03/2018

Alunos do CEEJA de Ouro Preto são convocados para as aulas por colegas de sala mesmo com a greve

“Nós alunos do CEEJA não somos contra os professores irem atrás dos seus direitos, desde que os alunos não sejam prejudicados”.

Grupo de alunos que estudam no Centro de Ensino de Jovens e Adultos Professor Antônio de Almeida (CEEJA) de Ouro Preto do Oeste, que fica localizado na rua Maíra, Bairro Alvorada, estão mobilizando os demais colegas dos períodos vespertino e noturno para eles irem à escola a partir desta quinta-feira (15), independente de as aulas estarem paralisadas no estado de Rondônia em razão da greve dos servidores da Educação.

Um grupo de alunos se reuniu com a diretoria e conversou com alguns professores que estão dispostos a lecionar, e pretendem ir até à sede do Sindicato dos Servidores em Educação (Sintero), às 9hs desta quinta, e comunicar a intenção deles de retornarem as salas de aula.

“Nós alunos do CEEJA não somos contra os professores irem atrás dos seus direitos, desde que os alunos não sejam prejudicados”, é a frase com a mensagem final no convite que os próprios alunos fizeram e enviaram para os estudantes.  

“São apenas seis meses de estudo, já perdemos 14 dias, se a greve continuar não vai ter como a gente repor. Eles vão conseguir o aumento de salário, vão ficar de boa e a gente vai ficar prejudicado?”, questiona uma aluna da comissão;

Os alunos do grupo dos que querem retornar aos estudos asseguram somarem oito o número de professores que não estão em greve, que lecionam as matérias mais importantes como Artes, Geografia, Matemática, Português e Sociologia  

“Eu acho que os professores têm que motivar os alunos do CEEJA porque eles perderam muito tempo. Concordo que os professores precisam do aumento de salário, mas eles não estão se preocupando com a gente”, lamentou um dos estudantes.

O LADO DA GREVE

A professora Flávia Pires conversou com a reportagem, e falou pelo Sintero e pelos profissionais em greve. Ela disse entender a situação dos alunos, porém lembrou que a categoria da Educação passa por um momento de luta não apenas em Rondônia, e que todos buscam também por uma educação de qualidade, o que não se faz com professores mal remunerados.

A professora citou que assim como juízes com salários astronômicos estão lutando pela manutenção de regalias, a greve na educação pública também é um direito constitucional, e o ideal seria que os estudantes e a sociedade somassem à luta dos professores.

Flávia reforçou que a luta dos professores é digna e necessária, há educadores ganhando menos que o piso nacional, mas alguns professores decidiram não aderir à greve, de maneira que a Coordenadoria Regional da Educação (CRE) criou os horários especiais.

A professora salientou que é um direito os professores não aderirem a greve, que o Sintero não tira o direito dos alunos do Ceeja que querem estudar, porém lembrou que na Escola Monteiro Lobato há ensino de jovens e adultos, e as aulas estão paralisadas.

“Correios está de greve, a Caerd fez greve, a Ceron e por quê a educação incomoda? Não deveria, devia ser luta junto com a gente. A gente não gosta de fazer greve, mas é o recurso final par sermos ouvidos”, convocou.

Marivone Resende de Araújo, titular da Coordenadoria Regional de Educação (CRE) da Seduc/RO, informou que na Escola 28 de Novembro, durante o período da manhã, oito professores que não aderiram à greve estão lecionando em horário especial para alunos que comparecem para estudar e podem se adequar aos horários de aulas. “Para aqueles professores que não estão de greve têm jeito de a gente ir trabalhando num horário especial. A reposição vai ser das aulas que não foram dadas, aqueles que estudarem durante a greve aquelas matérias serão eliminadas”.

EDUCAÇÃO ESTÁ PARALISADA EM RONDÔNIA, PROFESSORES ESTÃO EM GREVE POR MELHORIAS

Fonte: www.correiocentral.com.br