Correio Central
Voltar Notícia publicada em 08/01/2017

Internet das coisas: saiba como ela vai mudar a sua vida

Uma revolução já em curso mudará a maneira de trabalhar, consumir, cuidar da saúde e até de tomar conta da família.

Imagine acordar com o cheirinho do café; não ter que se preocupar em fazer a lista do supermercado; ir para o trabalho de carro, mas sem pegar no volante; ter dados sobre seus clientes em segundos; no caminho de casa já programar a temperatura do ar-condicionado; e saber que o seu médico está acompanhando em tempo real seus sinais vitais. Tudo isso entre um clique e outro.

Essas facilidades, que até pouco tempo pareciam coisas de filmes de ficção científica, estão cada vez mais presentes e prometem causar uma revolução na maneira de cuidar da casa e da saúde, de trabalhar, consumir e produzir. Tamanhas mudanças são fruto da internet das coisas (IoT, “Internet of Things”, em inglês), tecnologia que permite que dispositivos se conectem à internet, conversem entre si e ajudem pessoas e empresas.

O movimento de IoT é tão forte que analistas esperam que até 2020 mais de 50 bilhões de dispositivos estejam conectados. E não se trata apenas de notebooks, tablets ou smartphones, estamos falando de roupas, acessórios, eletrodomésticos, carros, aparelhos cirúrgicos e por aí vai.

Para o gerente de marketing para a América Latina da LogMeIn, empresa de suporte remoto, Gustavo Boyde, a internet das coisas irá dar voz aos produtos e processos. “Um refrigerador conectado vai identificar que acabaram os ovos, se comunicar diretamente com o supermercado e ‘falar’ para incluir na próxima entrega. Outro exemplo, a máquina de lavar roupas conectada estragou, ela mesma irá enviar sinais para a fabricante e informar que precisa de um técnico no local.”

Muito além das soluções para o dia a dia das pessoas, a IoT começa a ser um ingrediente poderoso nos processos produtivos das empresas. Indústrias e setores como o agrícola têm muito a ganhar com a conectividade dos dispositivos, capazes de melhorar a produtividade, enxugar custos e reduzir o risco da falha humana.

Especialistas revelam que é como se as máquinas ganhassem vida nas fábricas, uma vez que serão capazes de antecipar problemas e mostrar soluções. Uma peça, por exemplo, prestes a dar defeito e paralisar a linha de montagem é identificada com antecedência, permitindo que a troca seja feita sem interromper o funcionamento da planta.

Vagner Diniz, gerente do Ceweb.br (Centro de Estudos sobre Tecnologia Web), cita que na agricultura já existem experimentos com a aplicação da internet das coisas, como a utilização de drones, de sensores no solo e nas plantações. “A ideia é que essas informações sejam transmitidas para uma central, que vai ajudar na tomada de decisões. Pode haver a identificação da presença de pragas, o que possibilita ao gestor um controle, mesmo à distância.”

Sobre o tempo que a internet das coisas vai levar para efetivamente estar inserida no nosso cotidiano, o CFO da TCS Brasil, Bruno Rocha, frisa que ela já é realidade. “A IoT já está presente e poderá ir muito mais longe. É um cenário similar ao da globalização. Na década de 1990, todo mundo falava desse processo. Hoje, a globalização é tão forte e tão integrada às nossas vidas que ninguém cita mais.”

Claro que a velocidade dessa onda inovadora irá variar conforme lugar e setores. Hoje, Estados Unidos, países da Europa, China e Japão saem na frente. Mas quando o assunto é investimento, as grandes empresas brasileiras estão atentas. Segundo pesquisa da TCS, elas investiram em 2016, em IoT, US$ 96 milhões em média, com destaque para companhias bancárias, automotivas e industriais.

O consultor de tecnologia e segurança da informação Gilberto Sudré acredita que esses investimentos permitirão que em pouco tempo aparelhos com IoT sejam mais disseminados no país. “Quanto mais eles forem vendidos, menores serão os custos. Em cinco anos, vamos ter um cenário muito diferente”, prevê Sudré, ao defender que uma melhoria da infraestrutura da internet brasileira – em velocidade, capilaridade e preço – ainda seja essencial.

Gerson Rolim, diretor da Vecto Mobile – empresa de conectividade 100% IoT – usa a máquina de cartões de crédito como exemplo de aplicação de internet das coisas. Para ele, outros produtos que já foram lançados fora do Brasil não levarão muito tempo para que se popularizem por aqui. “A economia de massa será no máximo de dois a cinco anos. A gente pode fazer a comparação com os televisores. Comprar uma TV de led era caríssimo, hoje já é possível.”

Segurança é desafio do mundo conectado

Mais do que desenvolver sistemas para tornar a internet das coisas (IoT) uma realidade cada vez mais presente para as pessoas e para as empresas, o desafio está em aplicá-la com segurança. É o que alertam os especialistas. Para quem entende do assunto, o controle das informações não pode ser menosprezado e colocado de lado frente a tantas ideias inovadoras que vêm surgindo no mercado mundial.

 

Especialistas revelam que é como se as máquinas ganhassem vida nas fábricas, uma vez que serão capazes de antecipar problemas e mostrar soluções. Uma peça, por exemplo, prestes a dar defeito e paralisar a linha de montagem é identificada com antecedência, permitindo que a troca seja feita sem interromper o funcionamento da planta.

Vagner Diniz, gerente do Ceweb.br (Centro de Estudos sobre Tecnologia Web), cita que na agricultura já existem experimentos com a aplicação da internet das coisas, como a utilização de drones, de sensores no solo e nas plantações. “A ideia é que essas informações sejam transmitidas para uma central, que vai ajudar na tomada de decisões. Pode haver a identificação da presença de pragas, o que possibilita ao gestor um controle, mesmo à distância.”

Sobre o tempo que a internet das coisas vai levar para efetivamente estar inserida no nosso cotidiano, o CFO da TCS Brasil, Bruno Rocha, frisa que ela já é realidade. “A IoT já está presente e poderá ir muito mais longe. É um cenário similar ao da globalização. Na década de 1990, todo mundo falava desse processo. Hoje, a globalização é tão forte e tão integrada às nossas vidas que ninguém cita mais.”

Claro que a velocidade dessa onda inovadora irá variar conforme lugar e setores. Hoje, Estados Unidos, países da Europa, China e Japão saem na frente. Mas quando o assunto é investimento, as grandes empresas brasileiras estão atentas. Segundo pesquisa da TCS, elas investiram em 2016, em IoT, US$ 96 milhões em média, com destaque para companhias bancárias, automotivas e industriais.

O consultor de tecnologia e segurança da informação Gilberto Sudré acredita que esses investimentos permitirão que em pouco tempo aparelhos com IoT sejam mais disseminados no país. “Quanto mais eles forem vendidos, menores serão os custos. Em cinco anos, vamos ter um cenário muito diferente”, prevê Sudré, ao defender que uma melhoria da infraestrutura da internet brasileira – em velocidade, capilaridade e preço – ainda seja essencial.

Gerson Rolim, diretor da Vecto Mobile – empresa de conectividade 100% IoT – usa a máquina de cartões de crédito como exemplo de aplicação de internet das coisas. Para ele, outros produtos que já foram lançados fora do Brasil não levarão muito tempo para que se popularizem por aqui. “A economia de massa será no máximo de dois a cinco anos. A gente pode fazer a comparação com os televisores. Comprar uma TV de led era caríssimo, hoje já é possível.”

Segurança é desafio do mundo conectado

Mais do que desenvolver sistemas para tornar a internet das coisas (IoT) uma realidade cada vez mais presente para as pessoas e para as empresas, o desafio está em aplicá-la com segurança. É o que alertam os especialistas. Para quem entende do assunto, o controle das informações não pode ser menosprezado e colocado de lado frente a tantas ideias inovadoras que vêm surgindo no mercado mundial.

 

Wellington diz que app poderá se conectar a geladeiras e elaborar lista de compras, enviando-a a supermercados

Foto:Carlos Alberto Silva

 

Gustavo Boyde, gerente de Marketing para América Latina da LogMeIn, reforça que a segurança sempre é uma preocupação quando se trata de novas tecnologias. “E quando se fala de IoT, ela é extremamente crítica. Imagina se alguém mal-intencionado toma o controle de um carro inteligente à distância ou descobre como abrir a fechadura da sua casa conectada. A segurança da informação passará a ser a segurança de tudo. No momento em que se está conectado, tudo passará a ser vulnerável.”

O especialista em segurança cibernética da ISH Tecnologia, Ulysses Monteiro, endossa a preocupação, e salienta que, quanto mais dispositivos estão conectados na internet, mais vulneráveis ficam os dados dos usuários. “Vamos ter bilhões de dispositivos conectados e isso tende a gerar muito estrago, porque teremos mais agentes de ataque. Por isso, é tão importante desenvolvermos inteligência e softwares para mitigar os problemas de segurança.”

Para Bruno Rocha, CFO da Tata Consultancy Services (TCS) Brasil – empresa de serviços de TI, consultoria e soluções de negócios –, a segurança da informação se tornou um campo com grande potencial de atuação das empresas. “É algo muito sensível e que tem que ser trabalhado de forma intensa para garantir toda a privacidade. Por isso, a importância do suporte das empresas de Tecnologia da Informação.”

Na visão de Rocha, mesmo com um compartilhamento de dados e hábitos cada vez mais frequentes, que serão reforçados com a IoT, será possível não ficar exposto na rede. “Com o tempo, as pessoas vão entendendo que dá para preservar a privacidade e, ao mesmo tempo, ter a customização.”

O gerente do Ceweb.br – Centro de Estudos sobre Tecnologia Web –, Vagner Diniz, chama a atenção para outro obstáculo a ser superado. Ele cita que é fundamental haver a interoperabilidade dos dispositivos, ou seja, aplicações e sistemas têm que ser desenvolvidos com a capacidade de se comunicarem entre si.

“Na internet das coisas, a interoperabilidade é essencial. Por isso, a gente vem trabalhando nessa parte de padronização para que os dispositivos tenham uma interface comum, tanto com os dispositivos quanto com o cidadão.”

Um exemplo dessa falta de comunicação pode ser observada entre sistemas desenvolvidos por montadoras, como BMW, Audi, Toyota, Ford e Mercedes. Cada uma desenvolve seu dispositivo de carro conectado, mas elas não criam sistemas que permitam que os veículos “conversem” entre eles.

Atentos às possibilidades de conexão dos dispositivos, Wellington Torres Junior e Pedro Feu criaram um aplicativo, o BuyWell, que compara valores praticados por diferentes estabelecimentos comerciais de qualquer produto que tenha código de barras.

Hoje, o app facilita a vida dos consumidores no que diz respeito à comparação dos preços de itens de supermercados, farmácias ou papelarias, mas em um futuro próximo ele poderá ser ligado a geladeiras inteligentes, elaborar listas de compras e até enviá-las para os supermercados.

“O BuyWell foi desenvolvido pensando na internet das coisas, ou seja, é preparado para interagir, permitindo a conexão entre sistemas e dados. Mas, enquanto esse processo se consolida, a ideia é ajudarmos as pessoas a identificarem as diferenças de preços em um raio de até 35 quilômetros. É um aplicativo de pesquisa colaborativa”, frisa Wellington ao citar que o app, hoje disponível para IOS, será disponibilizado para Android até o final de 2017.

Produtos que já são realidade

Ponto

Já existem pontos de ônibus inteligentes, que estão integrados em uma rede e informam o horário que o coletivo de determinada linha vai passar naquela estação.

Coleira

Uma startup lançou uma coleira tecnológica para animais de estimação. O dispositivo monitora os hábitos e ajuda o dono do pet a encontrá-lo caso ele desapareça.

Botão

No Brasil, empresas estão testando um botão que, quando acionado, realiza a compra de determinado produto. Após um cadastro prévio, bastará um clique.

 

Fonte: Gazetaonline.com.br - imagens - NSI - Training