Correio Central
Voltar Notícia publicada em 10/05/2019

Homenagem à Castanheira do Parque do Bosque

Com 5,5 metros de circunferência e aproximadamente 40 de altura, a bertholletia excelsa, com suas proporções harmônicas. parecia ser um bonsai gigantesco.

Sucumbiu nos dentes afiados de um motor, recentemente, a

histórica castanheira do Parque do Bosque, onde o habitava há

pelo menos 500 anos. Sua idade ao certo jaz no tempo.

Com 5,5 metros de circunferência e aproximadamente 40 de

altura, a bertholletia excelsa, com suas proporções harmônicas.

parecia ser um bonsai gigantesco

Não ocupa mais a bela paisagem do Parque central nem

pode mais ser contemplada de vários pontos da cidade aquela

forte estrutura autotrofa.

A passarela sinuosa construída na revitalização do antigo

Bosque, hoje Parque do Bosque, permitia contemplar de perto seu

robusto, estriado e enegrecido tronco.

Mas olhar para o alto dali se via os braços fortes erguidos

em majestosa copa, os tortuosos e imponentes galhos, adornados

com parasitas esverdeados.

Em seus mais altíssimos lanços também as aves araras,

águias e garças pairavam seguras e felizes a fitar em fresca brisa

o infinito azul.

Viveste para servir e neste teu longo e profundo silêncio

raramente ouvido transmitiu-nos muitas mensagens, falou-nos no

idioma secreto.

Quanto testemunhou desta tua velha existência? Quem a

acompanhou durante a longínqua rotina de flores e frutos que

cedestes à vida?

Quantas outras companheiras vistes crescer ao teu redor?

Quantos outros viventes te frequentaram, beijaram-te as flores,

saborearam teus frutos?

Pergunto-te aqui agora - sob dor e saudades - quem foram

teus pais? Teus filhos e teus irmãos? Que outra dimensão ocupas

hoje?

As castanheiras verdadeiramente param de frutificar quando

 

outras co-irmãs são abatidas, como já ouvi dos homens desta

terra?

Árvore amiga, se acaso falei por ti do meu coração sem

pedir-te a licença ou, distraído, rompi o teu emudecer, não me

condenes pois ainda sou-te aprendiz.

Dê-se-lhe um respeitoso e nobre fim a teu querido lenho,

empregando-o em obras de amor desta cidade - em nome do

Criador.

Glauco Antônio Alves

9 de maio de 2019.

Fonte: www.correiocentral.com.br