Correio Central
Voltar Notícia publicada em 13/03/2017

Pecuaristas e governo de Rondônia debatem o fim da vacinação contra a febre aftosa em Ji-Paraná, dia 23

A previsão do segmento privado é de que pecuaristas de Rondônia deixem de vacinar o gado contra aftosa a partir de 2019

Lideranças do segmento privado da pecuária de corte do Brasil, Bolívia e Paraguai já tomaram a decisão de que a vacina contra a aftosa vai deixar de ser obrigatória, e traçam um calendário para iniciar esse processo que prevê a desobrigação de uma área que comporta 80 milhões de cabeças de bovinos a partir de novembro de 2018, iniciando pelo Rio de Janeiro, Espírito Santo até o Maranhão; no Pará Tocantins, Goiás, São Paulo e Minas Gerais em 2018, e em 2019/2020 nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul.

 

No dia 23 de março, em Ji-Paraná, no campus IFRO, ocorrerá uma audiência pública envolvendo representantes do setor privado e público, e terá a presença de Sebastião Costa Guedes, que é presidente do Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa (Giefa), presidente da Academia Brasileira de Medicina Veterinária (Abramvet), vice-presidente de Relações Internacionais do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC), além de membros da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

 

O último encontro de lideranças do setor privado ocorreu no dia 24 de janeiro em Campo Grande (MS), ocasião em que ficou determinado que o fim da vacinação contra febre aftosa é questão de tempo. “A audiência pública de Ji-Paraná ficou acertada em uma reunião ocorrida na Assembleia Legislativa na última terça-feira. A decisão de parar gradativamente é da iniciativa privada porque hoje no Brasil a febre aftosa já não existe mais, e abriu-se um debate se devemos parar a vacinação”, posiciona-se Anselmo de Jesus, presidente da Agência de Defesa Sanitária Agrossilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron).

 

No encontro de Campo Grande foi destacado que hoje a situação da zoonose na América é tranquila, e nas três Américas atualmente falta o reconhecimento de área livre com vacinação no Estado do Amazonas, o Estado de Roraima, do Amapá e na Venezuela para que tenhamos o primeiro continente no mundo a estar livre da febre aftosa, com vacinação.

 

Organizações do setor produtivo, em conjunto com a CNA, a ABCZ  e o Sindicato das Indústrias de Produtos Veterinários (Sindam), financiaram um estudo que está sendo feito pela Universidade de São Paulo (USP) para subsidiar o Ministério da Agricultura na concepção e apresentação de projeto para ser discutido nas 27 unidades da Federação com a proposta da desobrigatoriedade da vacinação.

 

Segundo o presidente da Idaron, Sebastião Costa Guedes destacou em Campo Grande que os produtores estão “jogando fora” R$ 600 milhões ao vacinar seus rebanhos, sugerindo que a vacinação seja retirada gradativamente por faixa etária do rebanho, ou considerando as questões geográficas. “Em Rondônia, o custo por etapa de vacinação é algo próximo de R$ 30 milhões”, comparou Anselmo de Jesus.

 

Segundo Anselmo de Jesus, o setor privado tem levado às reuniões a sugestão de que a mudança do status nacional para livre de aftosa sem vacinação é uma decisão sem volta, tendo em vista que países vizinhos como Chile, Guiana, Peru e o sul da Argentina estão com praticamente 100% do território livre, e começaram a erradicar a doença 20 anos depois do Brasil.

 

A Giefa e Abramvet também apresentam dados que comprovam que o animal perde de 2 a 3 quilos de peso por inflamações causadas pelo excesso de dose e manejo inadequado na hora da aplicação; fêmeas sofrem aborto e redução na taxa de prenhes. Para o titular da Idaron, caso essa decisão seja uma realidade, ao Estado, caberá os investimentos de vigilância e de certificação, e a manutenção no serviço sério que já vem sendo desenvolvido.

PRESIDENTE DA ACADEMIA BRASILEIRA DE MEDICINA VETERINÁRIA VIRÁ A AUDIÊNCIA EM RO

 

 

Fonte: Por Edmilson Rodrigues