Correio Central
Voltar Notícia publicada em 19/04/2017

Hidroponia fez irmãos em Ouro Preto do Oeste mudarem de ramo, prosperar e saírem do estado de falência

Irmãos utilizaram área de chácara com duas empresas falidas e construíram a Horta Ouro Verde pelo sistema de hidroponia

EDMILSON RODRIGUES - Esperar pelo poder público, pelas promessas mirabolantes e eleitoreiras dos políticos, ou um milagre do céu, nem sempre é a solução que vai tirar quem batalha pela vida de maneira honesta para sustentar sua família. Olhar para frente e arregaçar as mangas são o caminho.

Na cidade de Ouro Preto do Oeste institucionalmente transformado em Estância Turística no final da última gestão —, há um exemplo positivo de como a atividade da horticultura, com o domínio da técnica da hidroponia, fez dois irmãos mudarem de atividade comercial, quando vislumbraram a possibilidade de ganhar dinheiro pelo sistema de cultivo de hortaliças dentro de estufas sem uso de solo, um cultivo de produção disciplinado que eles sequer tinham conhecimento.

Até o mês de março de 2012, Natanael Borges Barroso, 45 anos, administrava uma fábrica de estofados, mas o seu comércio ia mal, as contas não fechavam e as dívidas se multiplicavam. O irmão, Natan Borges Barroso, de 46, lidava com uma pequena fábrica de produção de lingeries em sociedade, mas também não estava satisfeito com o desempenho financeiro de seu empreendimento, em razão do endividamento contínuo.

As fábricas funcionavam em uma chácara de 1 alqueires no Bairro Alvorada (Industrial), onde eles moram, e também seus pais.

Natan e Natanael tinham as dívidas, mas também a chácara de 1 alqueire. Eles decidiram então visitar pela região hortas construídas pelo sistema de hidroponia pequenas e médias, foram em busca de adquirir conhecimento necessário para começar, e inicialmente investiram R$ 8.000,00 em duas estufas, cada uma medindo cinco metros e meio de largura, por 20 metros de comprimento.

A produção inicial das duas estufas foi de 4.200 pés de alface. Como para cada maço (sacola) de alface são necessários dois pés, dava para embalar 2.100 maços.

RESULTADO EM CURTO PRAZO

Quatro anos e meio depois, a Horta Ouro Verde conta com uma área de produção de 1 alqueire e cultiva alface, agrião, almeirão e salsa em 40 estufas, 20 delas são de 20 metros, mas já foram conectadas, e tem estufa com até 60 metros de comprimento, cada uma com capacidade de produzir mais de 2.000 pés de verduras nas covas das bancadas.

De acordo com Natanael, ao longo desses anos de atividade na hidroponia, as dívidas contraídas com bancos e os fornecedores do antigo ramo de fabricar e reformar estofados foram sanadas graças ao lucro obtido com a horta, além de que, já foram investidos aproximadamente R$ 160 mil na ampliação da área de produção, e as verduras produzidas são comercializadas nos principais supermercados da cidade de Ouro Preto, Jaru e, esporadicamente, em estabelecimentos da cidade de Ji-Paraná.    

NATAN E O FILHO ALEXANDRE CARREGAM VEÍCULO PARA A ENTREGA DA MANHÃ

PROSPERIDADE

A Horta Ouro Verde dos irmãos Borges que deram uma guinada na vida vem comprovando que a produção de hortaliças com emprego das técnicas da hidroponia gera alta produtividade em curto espaço e porduzem verduras de qualidade superior; a horta permite colheitas ininterruptas independente das variações do tempo, e essa eficiência apresentada dá o retorno financeiro imediato e em curto prazo.  “Nossa horta permite o controle de produção e temos mercado garantido, e em expansão. Tudo que nós construímos em ampliação e melhorias até o momento nós tiramos daqui. Não temos uma matemática precisa porque agora é que começamos a contabilizar, mas os resultados estão aí”, comemora Natanael. 

NATANAEL LOTA VEÍCULO PARA LEVAR VERDURAS AO TAÍMAX DE JARU

HORTA FAMILIAR

Os irmãos completam a satisfação ao contar que todo o trabalho executado na Horta Ouro Verde é feito em família, e que o lido diário não causa stress. Trabalham na horta além dos irmãos as mulheres, uma das gêmeas de Natanael com 19 anos e o marido dela (a outra gêmea casou e foi morar num sitio), mais Natanael com a mulher e o filho Alexandre. O irmão mais velho deixou a Horta e montou uma quitanda na Rua Seringueiros.

A família acorda cedo. Os irmãos com os filhos colhem os produtos e um carro sai para Jaru e outro para mercados de Ouro Preto. O pai deles, seu Geraldo Borges Barroso, aos 81 anos, ajeita um carrinho, carrega de verduras e empurra até o Jardim Aeroporto, do outro lado da cidade, também comercializa no bairro Alvorada, e com a  mulher trabalha nas feiras de sábado e domingo.

A Horta Ouro Verde já recebeu universitários de cursos de Agronomia do campus da Ulbra de Ji-Paraná em temporada de trabalho de estágio, e eles ajudaram na construção de estufas, participaram do plantio, da colheita e em todos os processos até a colheita do produto final.

A editoria do site Correio Central não tem com essa linha editorial desmerecer o esforço dos empresários e atores que implantam o fomento advindo do vetor turístico da região que tem potencial comprovado, e se expande.

Todavia, mostra que o caminho seguro para assegurar emprego e renda, e a manutenção do comércio, o emprego dos comerciários e das mãos de quem não olha para trás na fila da vida e corre atrás vem do campo, sobretudo de quem evolui e busca acompanhar a evolução tecnológica e as vias de auxilio dos órgãos de apoio em forma de assistência técnica.

AOS 81 ANOS, SEU GERALDO VAI DO INDUSTRIAL AO BAIRRO AEROPORTO VENDER VERDURAS

A HORTA ESTÁ TRAZENDO BENEFÍCIOS PARA NATANAEL E SUA FAMÍLIA

A FÁBRICA DE ESTOFADOS QUE NÃO GERAVA RENDA É COISA DO PASSADO

Fonte: www.correiocentral.com.br - fotos Edmilson Rodrigues